Literatura brasileira - Capa dura, tradicional
1. Romance/Literatura brasileira e portuguesa (coleção mestres da literatura brasileira e portuguesa) Capa dura.
Prateleiras superiores.
Obra e autor
Prateleira 1 e 19
Prateleira 1
Prateleira 1
- Noites do Sertão. Guimarães Rosa
"Porque em todas as circunstâncias da vida real, não é a alma dentro de nós, mas sua sombra, o homem exterior, que geme, se lamenta e desempenha todos os papéis neste teatro de palcos múltiplos, que é a terra inteira."
Prateleira 1- A jangada de pedra. José Saramago
"Quando Joana Carda riscou o chão com a vara de negrilho, todos os cães de Cerbére começaram a ladrar lançando em pânico e terror os habitantes, pois desde os tempos mais antigos se acreditava que, ladrando ali animais caninos que sempre tinham sido mudos, estaria o mundo universal próximo de extinguir-se..."
Prateleira 1- O ano da morte de Ricardo Reis. José Saramago.
"Aqui o mar acaba e a terra principia. Chove sobre a cidade pálida, as águas do rio correm turvas de barro, há cheia nas lezírias. Um barco escuro sobe o fluxo soturno, é o highland Brigade que vem atracar ao cais de Alcântara..."
Prateleira 1
- Capitães de Areia. Jorge Amado
Prateleira 1 e 19
- Tieta do Agreste, Pastora de cabras. Jorge Amado.
"...Contendo introdução e palpites do autor, inesquecíveis diálogos, finos detalhes psicológicos, pinceladas de passagens, segredos, adivinhas, além da apresentação de algumas figuras que desempenharão destacado papel nos acontecimentos passados e futuros narrados neste apaixonante folhetim, em cada página a dúvida, o mistério, a vil traição, o sublime devotamento, o ódio e o amor..."
Prateleira 7
- Os velhos marinheiros ou O capitão de longo curso. Jorge Amado
"Mas, dele mesmo, não sabem
e nem nunca saberão,
pois ele nunca viveu,
não era sim, nem não,
como essas coisas que existem
dentro da imaginação.
Quem poder que invente outro."
(Carlos Pena Filho, Episódio dos Ventos)
Prateleira 19
-Os subterrâneos da liberdade
Prateleira 19
-Jubiabá
Prateleira 19
-Capitães de longo curso
Prateleira 19
-Romana em
tempo de utopia
Prateleira 19
-O compadre de Ogum
Prateleira 19
Prateleira 1
- Poesia errante. Carlos Drummond de Andrade.
Prateleira 1
- Claro enigma. Carlos Drummond de Andrade.
"Tua memória, pasto de poesia,
tua poesia, pasto dos vulgares,
vão se engastando numa coisa fria
a que tu chamas: vida,, e seus pesares.
Mas pesares de quê? Perguntaria,
se esse travo de angústia nos cantares, vai correndo e secando pelos ares..."
Prateleira 7
- A vida real. Fernando Sabino.
- Angústia. Graciliano Ramos
"...Meu pai cochilava, encostado ao balcão. Na saleta da nossa casa, por detrás da bodega, eu recordava as lições, entorpecido. Enfiando os olhos pela janela, via na rua o meu vizinho Joaquim Sabiá, de cócoras, fazendo construções com areia molhada. Havia um grande silêncio,, um silêncio incômodo..."
Prateleira 1e 20
- Insônia. Graciliano Ramos.
"Sim ou não? Esta pergunta surgiu-me de chofre no sono profundo e acordou-me. A inércia findou num instante, o corpo morto levantou-se rápido, como se fosse impedido por um maquinismo. Sim ou não?..."
Prateleira 1
- Caetés. Graciliano Ramos.
"Adrião arrastando a perna, tinha-se recolhido ao quarto, queixando-se de uma forte dor de cabeção. Fui colocar a xícara na bandeja. E dispunha-me a sair, porque sentia acanhamento e não encontrava assunto para conversar. Luísa quis mostrar-me uma passagem no livro que lia. Curvou-se. Não me contive e dei-lhe dois beijos no cachaço. Ela ergue-se, indignada: O senhor é doido?..."
Prateleira 7
- Viva o povo brasileiro. João Ubaldo Ribeiro.
"Estou alarmado, dizia a certa altura a carta do Monsenhor Clemente André, que Bonifácio Odulfo lia o cenho carregado. "Alarmado, será o termo correto? Não, meu afetuoso e querido irmão, estou, pode-se dizer em pânico..."
Prateleira 1
- Vencecavalo e o outro povo. João Ubaldo Ribeiro.
"Sabe-se que Vencecavalo é hoje bancário aposentado e reside em Florianópolis, onde mantém uma agremiação intitulada Grêmio Metafísico-Espiritualista Catarinense, que se corresponde amplamente com entidades semelhantes de todas as partes do mundo, sendo responsável, inclusive, por diversas teses originais nesse setor...
Prateleira 1
- Setembro não tem sentido. João Ubaldo Ribeiro.
"Eram duas horas da madrugada e estavam sentados na grama do jardim defronte do Palácio do Governador, exceto Luíz, que se abaixava e catava malmequeres distraidamente..."
Prateleira 1
- O sorriso do lagarto. João Ubaldo Ribeiro.
"Talvez isto não fique bem claro ainda por muito tempo, mas o exame consciencioso dos fatos que levaram aos acontecimentos principais deste relato mostra que sua primeira cena se desenrolou em data já um pouco distante, sem que ninguém então pudesse saber o que pressagiava..."
Prateleira 13
- Novelas nada exemplares. Dalton Trevisan
"O menino puxou a saia da mãe e queixou-se da dorzinha de cabeça. Ora, que fosse brincar com o irmão, brincando a dor passava. Ela já se atrasara com o jantar. Reuniu-se a família em volta da mesa. - Onde está o Pedrinho?- Perguntou o pai. - Brincando lá fora, a mulher respondeu. - Não com a gente, acudiu o irmão. A mãe chegou à janela: - Vizinha, não viu o Pedrinho? Voltando do quarto, o irmão contou que Pedrinho estava lá, no escuro, ele o maior medroso da família. - Deitado de sapato, meu filho! O menino tinha o olho aberto no escuro..."
Prateleira 1
-Cemitério de elefantes
Prateleira 22
- As terras ásperas. Rachel de Queiroz.
Prateleira 1
- O galo de ouro. Rachel de Queiroz.
"A névoa escondia o mar. O zumbido de um avião invisível parecia chegar de muito perto, talvez de dentro da água misteriosa, não do céu. Mariano encostou a bicicleta na cerca, empurrou a cancela que rangeu com a antipatia de sempre, puxou a máquina atrás de sim e atravessou o quintalejo maltratado à frente de sua casa. A porta, como de costume, estava apenas cerrada...!
Prateleira 7
-Agosto
Prateleira 20
Prateleira 1
- Estrela da vida inteira. Manuel Bandeira
Prateleira 1
- Ficções do interlúdio (I). Fernando Pessoa.
Prateleira 1
- A madona de cedro. Antonio Callado.
Prateleira 1
- Memórias Póstumas de Brás Cubas. Machado de Assis
"...Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha no meu cérebro..."
Prateleira 1 e 19
- Esaú e Jacó. Machado de Assis
"Era a primeira vez que as duas iam ao Morro do Castelo. Começaram a subir pelo lado da rua do Carmo...Com efeito as dus buscavam disfarçadamente o enderço da caso da cabocla, até que deram com ele. A cada era como as outras, trepada no morro..."
Prateleria 19
-Helena
Prateleira 19
-Conto e escola e outras histórias curtas
Prateleira 19
-O Alienista
Prateleira 19
-Dom Casmurro
Prateleira 7 e 19
- A casa da paixão. Nélida Pinon.
"A ninguém queria, além do pai. Uma transigência de cactus, deserto era a zona aflita do seu corpo. Buscou no início compreender. A dificuldade de amar fácil, como planta aceita delicada o crescimento...Os bilhetes que lhe enviam durante a semana, alguns rasgava. Os mais atrevidos, guardava-os junto ao corpo..."
Prateleira 1
- Estorvo. Chico Buarque de Hollanda.
"Para mim é muito cedo, fui deitar claro, não consigo definir aquele sujeito através do olho mágico. Estou zonzo, não entendo o sujeito ali parado..."
Prateleira 1
- Quase memória. Carlos Heitor Cony.
"Dia 28 de novembro de 1995. A hora aproximadamente vinte, talvez quinze para uma da tarde. O local, a recepção do Hotel Novo Mundo, qui ao lado, no Flamengo. Acabara de almoçar com minha secretária e alguns amigos, descêramos a escada em curva que leva ao restaurante ao hall da recepção...O porteiro tirou os óculos, abriu uma gaveta do balcão e de lá retirou um embrulho, que parecia um envelope médio, gordo, amarrado por barbante ordinário. Um hóspede esteve aqui no último fim de semana e perguntou se nós o conhecíamos, pediu que lhe entregássemos este envelope... Sim...Sim..."
Prateleira 1
Prateleira 7
Formas de Amor, constelarmente puras,
De virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de Lírios e de rosas...
Prateleira 7
- Os Sertões. Euclides da Cunha.
"Do alto da Serra de Monte Santo atentando-se para a região, estendida em torno num raio de quinze léguas, nota-se, como num mapa em relevo, a sua conformação orográfica...
Prateleira 1
- O analista de Bagé. Luis Fernando Veríssimo.
"Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vem de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas. Mas não adianta. Estas histórias do psicanalista de Bagé, são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de Bagé, histórias apócrifas é mentira bem educada) mas, pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar...
Prateleira 1
- Galvez imperador do Acre. Márcio Souza.
"A vida e a prodigiosa aventura de Dom Luiz Galvez Rodrigues de Aria nas fabulosas capitais amazônicas e a burlesca conquista do Território Acreano contada com perfeito e justo equilíbrio de raciocínio para a delícia dos leitores..."
Prateleira 1
- Para viver um grande amor. Vinicius de Moraes.
"...Virgem! filha minha
De onde vens assim
Tão suja de terra
Cheirando a jasmim
A saia com mancha
De flor carmesim
E os brincos da orelha
Fazendo tlintlin?
Minha mãe querida
Venho do jardim
Onde a olhar o céu
Fui, adormeci.
Quando despertei
Cheirava a jasmim
Que um anjo esfolhava
Por cima de mim.
(Montevidéu, 01/11/1958)"
Prateleira 1
- O casamento. Nelson Rodrigues.
"Soltou do automóvel, uma Mercedes, e avisou ao chofer: Me apanhe daqui a meia hora. O carro partiu. Bom na Mercedes era a velocidade macia, quase imperceptível. Sabino vai comprar cigarros. Enquanto esperava o troco, viu um sujeito bater nas costas do outro, e berrar: Todo canalha é magro! Por mais estranho que pareça, aquilo doeu-lhe como uma desfeita pessoal. Apanhou o troco, dera uma nota de cinco mil, e veio caminhando. O sujeito ainda repetiu, com a mesma ferocidade jucunda: O canalha é magro. Com surda cólera, Sabino..."
Prateleira 1
- Flor de poemas. Cecília Meireles.
"...Não há quem não se espante, quando
mostro o retrato desta sala,
que o dia inteiro está mirando,
e à meia-noite em ponto fala..."
Prateleira 1
- Ai de ti, Copacabana. Rubem Fonseca.
"A mulher entrou no meu escritório com um sorriso muito amável e os olhos muito azuis. Desenrolou um mapa e começou a falar com uma certa velocidade, como é uso dos chilenos. Gosto de ver mapas, e me ergui para olhar aquele. Quando percebi que se tratava de loteamento, e a mulher queria me vender uma parcela, me coloquei na defensiva..."
Prateleira 1
- O caso Morel. Rubem Fonseca.
"Matos e Vilela se encontram na porta de penitenciária. Sozinho Vilela teria dificuldades para entrar, mas com Matos as portas são abertas. Chegam à cela de Morel..."
Prateleira 1
- A grande arte. Rubem Fonseca
"As casas estavam sendo demolidas para dar espaço a um outro lugar chamado Cidade Nova. Eram casas de um pavimento...Lembrei-me da primeira vez que fui naquela rua. Parecera-me uma alegre feira, cheia de homens, andando de um lado para outro, fumando e conversando nas esquinas...
Prateleira 1
- Agosto. Rubem Fonseca
Prateleria 20
- Lavoura Arcaica. Raduan Nassar.
"Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde nos intervalos da angústia, se acolhe, de um áspero caule, na palma da mão..."
Prateleira 1
- Cais da sagração. Josué Montell.
"...Os barqueiros que o avistam,
Navegando em alto mar
Ou correndo pela praia
Seu corcel a cavalgar,
Sabem quem a chama da vida
De um deles vai-se apagar..."
Prateleira 1
- O livro das ignoranças. Manoel de Barros.
"Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que corre entre dois jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre dois lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro..."
Prateleira 1
- Um táxi para Viena d'Áustria. Antônio Torres.
"Neste exato momento há um indivíduo descendo apressado pelas escadas do edifício nº3 da rua Visconde de Pirajá. Ipanema, aqui no Rio de Janeiro. De que será que ele está fugindo? Ainda não sabemos. Nada de pânico. Por enquanto todo parece normal. Nenhum alarme. Nenhum grito.Ninguém soltando os cachorros..."
Prateleira 1
- Baú de espantos. Mario Quintana.
"Noite alta, na soçobrante Nau exposta aos quatro ventos, em pleno céu sulcado de relâmpagos,
os marinheiros mortos trovejam palavrões..."
Prateleira 1
- Corpo Vivo. Adonias Filho
"Tudo começou no sábado. Lembrou-me a mulher, quando jantávamos, que o compadre Januário nos esperava na segunda-feira, lá, na fazenda dos Limões. Teríamos o domingo para atravessar a colina e, Deus não mandasse o contrário, dormiríamos em casa de Alonso, nos baixios da Jussara..."
Prateleira 1
- Crônica da casa assassinada. Lúcio Cardoso.
"18 de... de 19..., ... meu Deus, que é a morte? Até quando, longe de mim, já sob a terra que agasalhará seus restos mortais, terei de refazer neste mundo o caminho do seu ensinamento, da sua admirável lição de amor, encontrando nesta o aveludado de um beijo..."
Prateleira 1
- O primo Basílio. Eça de Queiroz.
"Tinha dado onze horas no cuco da sala de jantar. Jorge fechou o volume de Luís Figuier que estivera folheando devagar, estirado na velha voltaire de marroquim escuro; espreguiçou-se, bocejou e disse: Tu não vais vestir, Luísa?..."
Prateleira 1
- O crime do padre Amaro. Eça de Queiroz.
"Foi no Domingo de Páscoa que se soube em Leiria que o pároco da Sé, José Migueis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia. O pároco era um homem sanguíneo e nutrido, que passava entre o clero diocesano pelo "comilão dos comilões". Contavam histórias singulares da sua voracidade. O Carlos da Botica, que o detestava, costumava dizer, sempre que o via sair depois da sesta, com a face afogueada de sangue, muito enfartado: Lá vai a Jibóia esmoer. Um dia estoura!..."
Prateleira 7
-As cidades e as serras
Prateleira 20
-A Relíquia
Prateleira 20
- A festa. Ivan Angelo.
"Quem estivesse na praça da Estação na madrugada de hoje veria um nordestino moreno, 53 anos, entrar com uns oitocentos flagelados no trem de madeira que os levaria de volta para o Nordeste. Veria os guardas, soldados e investigadores tangendo-os com energia mas sem violência para dentro dos vagões..."
Prateleira 7
- Os ratos. Dyonelio Machado.
"Os bem vizinhos de Naziazeno Barbosa assistem ao "pega" com o leiteiro. Por detrás das cercas, mudos, com a mulher e um que outro filho espantado já de pé àquela hora, ouvem. Todos aqueles quintais conhecidos têm o mesmo silêncio. Noutras ocasiões, quando era apenas a "briga" com a mulher, esta, como um último desaforo de vítima..."
Prateleira 21
- Triste fim de Policarpo Quaresma. Lima Barreto.
"Ingrata literatura. Mata um personagem só pelo prazer das regras da arte. É o que faz Lima Barreto numa das passagens iniciais de Triste fim de Policarpo Quaresma: ..."
Prateleira 7
- Recordações do escrivão Isaías da Caminha. Lima Barreto.
Prateleira 7 e 20
-Clara dos Anjos
Prateleira 20
- Maíra. Darcy Ribeiro.
"Ninguém entende este gringo, diz o delegado. Veio esta manhã com um boi do Hotel Nacional e fez uma confusão danada. É suíço: examinei o passaporte dele. Disse que viu uma dona morta numa praia do Iparanã. Com os diabos! Morre gente aqui hora e eu tenho que tomar conta desta defunta que morreu a mil quilômetros. Mandei falar você, Noronha, porque sei que fala francês..."
Prateleira 7
- A moreninha. Joaquim Manuel de Macedo.
"Bravo! exclamou Filipe, entrando e despindo a casaca, que pendurou em um cabide velho. Bravo!...interessante cena! mas certo que desonrosa fora para de um estudante de medicina e já no sexto ano, a não velar-lhe o adágio antigo: o habito não faz o monge...Seriam pouco mais ou menos onze horas da manhã, quando o batelão de Augusto abordou à ilha de...Embarcando às dez horas, ele designou ao seu palinuro o logara a que se destinava, e deitou-se para ler mais à vontade o Jornal do Comércio. Soprava vento fresco e, muito antes do que supunha, Augusto ergueu-se ouvindo a voz de Leopoldo que esperava na praia..."
Prateleira 20
- Terra sonâmbula. Mia Couto.
"Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre as cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas..."
Prateleira 7
- Espumas flutuantes. Castro Alves.
"A Pomba d'aliança o vôo espraia
Na superfície azul do mar imenso,
Rente...rente da espuma já desmaia
Medindo a curva do horizonte extenso...
Mas um disco se avista ao longe... a praia
Rasga nitente o nevoeiro desnso!...
Ó pouso! ó mente! ó ramo de oliveira!
ninho amigo da pomba forasteira!..."
Prateleira 7
- A vida com ela é. Nelson Rodrigues.
"Durante uma hora maciça, deixou-se ficar, em pé, numa contemplação espantada. Lá estava a mulher, de pés unidos, as mãos entrelaçadas, entre as quatro chamas dos círios. Parentes e amigos tentavam convencê-lo: "Senta! Senta!". Mas ele, fiel a à própria dor, era surdo a apelos. Como insistissem , acabou explodindo: "Não me amolem, sim?". E continuou, firme, empertigado. No fundo, achava que sentar, em pleno velório da esposa, seria uma desconsideração à morta. Uma hora depois, no entanto, cansou..."
Prateleira 7
"Alguém passou por nós a correr, gritando: Ela entrou no túnel! Vai se suicidar.Várias pessoas já se precipitavam em direção ao túnel, atrás do que gritara, numa curiosidade aflitiva que nos possuiu também. Vai se suicidar..."
Prateleira 7
-O Bom ladrão
Prateleira 21
-O Grande Mentecapto
Prateleira 21
-Duas novelas de amor
Prateleira 21
-Bolofofos e Finifinos
Prateleira 21
- Iracema. José de Alencar.
"Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos rios dos sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros. Serenai verdes mares..."
Prateleira 7
- Crônica de uma namorada. Zélia Gattai.
"A noite mais fria de minha vida não foi em Santo Antônio ou São João. A mais fria e a mais triste, como poderia esquecê-la? Foi num mês de julho, dia do enterro de mamãe: me cobriram o luto, me levaram ao cemitério..."
Prateleira 7
- Viagem Vaga música. Cecília Meireles.
"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento..."
Prateleira 7
- Pessach: a travessia. Carlos Heitor Cony.
"Hoje, 14 de março de 1966, falo quarenta anos. A data não me irrita, nem surpreende. Isso não quer dizer que eu esteja preparado para ela. Apenas, recebo-a sem emoção, sem tédio. Sinto-me suficientemente maduro para aceitá-la com honestidade e coragem, mas não estou pronto..."
Prateleira 7
- Sambras de reis barbudos. José J. Veiga.
"Está bem, mãe. Vou fazer a sua vontade. Vou escrever a história do que aconteceu aqui desde a chegada de tio Baltazar. Sei que esse pedido insistente é um truque para me prender em casa, a senhora acha perigoso eu ficar andando por aí..."
- A normalista. Adolfo Caminha.
"João Maciel da Mata Gadelha, conhecido em Fortaleza por João da Mata, habitava, há anos, no Trilho, uma casinhola de porta e janela, cor de açafrão, com a frente encardida pela fuligem das locomotivas que diariamente cruzavam defronte, e de onde se avistava a Estação da linha férrea de Baturité. Era amanuense, amigado, e gostava de jogar víspora em família aos domingos. Nessa noite estavam reunidas as pessoas do costume..."
Prateleira 7
- Memórias de um Sargento de Milícias. Manuel Antônio de Almeida.
"...Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria , como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e lhe deu também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Erra isso uma declaração em forma, segundo os usos da terra:.."
Prateleira 7
- Avalovara. Osman Lins.
"No espaço ainda obscuro da sala, nesta espécie de limbo ou de hora noturna formada pelas cortinas grossas, vejo apenas o halo do rosto que as órbitas ardentes parecem iluminar, ou talvez os meus olhos: amo-a, e os reflexos da cabeleira forte, opulenta, ouro ou aço..."
Prateleira 7
- Bichos. Miguel Torga.
"Os bichos de Torga são, em verdade, muito humanos. O seu próprio criador emprega a palavra homem para defini-los em sua maturidade, é como se nomeia o filho do Nero, o cão, quando este vê, surpreso, que tem diante de si um adulto: ...são dez bichos que encontramos nas breves página do pequeno volume que se lê em pouca horas..."
Prateleira 7
- A hora da estrela. Clarice Lispector.
"A hora da estrela leva esta proposta às últimas consequências e por isso a sua leitura torna-se tão instigante. É certo que aqui reencontramos a agudeza na investigação da natureza e psicologia humanas..."
Prateleira 7
- Poesias completas. Cruz e Sousa.
"Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares , de neves, de neblinas...
Ó Formas vagas, fluidas , cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...
Formas de Amor, constelarmente puras,
De virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de Lírios e de rosas...
Prateleira 7
- Um ramo para Luísa. José Condé.
"Foi num bar noturno que conheci Luísa. A vitrola tocava um fox. Perto de mim, no balcão, três mulheres me olhavam como a um possível freguês; duas outras estavam sentadas, á meia-luz, pouco abaixo de uma cópia grotesca de Toulouse-Lautrec. Conversavam em voz baixa, embora eu já tivesse notado que a morena gesticulava com certo nervosismo. Três sujeitos, no extremo do bar, bebiam cuba-libre em silêncio..."
Prateleira 7
- Senhora. José de Alencar.
"Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. Desde o momento de usa ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade..."
Prateleira 7
- Livro de sonetos. Vinicius de Moraes
" Inelutavelmente tu
Rosa sobre o passeio
Branca! e a melancolia
Na tarde do seio.
As cássias escorrem
Seu ouro a teus pés
Conheço o soneto
Porém tu quem és?..."
Prateleira 7
- O homem disfarçado. Fernando Namora.
"...Só quando a criada lhe retirou da frente o prato do assado, em que mal tocará, é que João Eduardo teve consciência de que a mulher, pela primeira vez, não insistira para que ele comesse..."
Prateleira 7
- Quincas Borbas. Machado de Assis.
"Rubião fitava a enseada, eram oito horas da manhã. Quem visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta, mas em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano?Professor. Que é agora! Capitalista..."
Prateleira 7
- Faz escuro mas eu canto. Thiago de Mello.
"Pois aqui está a minha vida.
Pronta para ser usada.
Vida que não se guarda
nem se esquiva, assustada.
Vida sempre a serviço da vida.
Para servir ao que vale a pena
e o preço do amor..."
Prateleira 7
- Poesias. Raimundo Correia.
"Vamos de longe, o guia vai na frente,
É longa a estrada...Aos ríspidos estalos do impaciente látego, os cavalos
Correm veloz, larga e fogosamente...
Prateleira 7
- Antes do Baile Verde. Lygia Fagundess Telles.
"Finalmente pousou o olhar no globo de vidro e estendeu a mão. - Tão transparente. Parece uma bolha de sabão, mas sem aquele colorido de bolha refletindo a janela, tinha sempre uma janela nas bolhas que eu soprava. O melhor canudo era o de mamoeiro. Você também não brincava com bolhas? Hein, Lorena?..."
Prateleira 7
- Eurico o presbítero. Alexandre Herculano.
"Para as almas, não sei se diga demasiadamente positivas, se demasiadamente grosseiras, o celibato do sacerdócio não passa de uma condição, de uma fórmula social aplicada a certa classe de indivíduos cuja a existência ela modifica vantajosamente por um lado e desfavoravelmente por outro...""
Prateleira 7
- Canaã. Graça Aranha.
"Milkau cavalgava molemente o cansado cavalo que alugara para ir do Queimado à cidade do Porto do Cachoeira, no Espírito Santo. Os seus olhos de imigrante pasciam na doce redondeza do panorama. Nessa região a Terra exprime uma harmonia perfeita no conjunto das coisas..."
Prateleira 7
- Uma vida em segredo. Autran Dourado.
"...o romancista, como todo artista, não cria para exprimir alguma coisa, ao contrário, se exprime para criar..."
Prateleira 7-13
2. Mestres da Literatura Contemporânea
- Memórias de Adriano. Marguerite Yourcenar.
"É uma autobiografia imaginária sobre a vida e a morte do imperador romano Adriano.
Prateleira 13
- Infância. Graciliano Ramos.
"A primeira coisa que guardei na memória foi um vaso de louça vidrada, cheio de pitombas, escondido atrás de uma porta..."
Prateleira 13
- O perfume. Patrick Suskind.
"No século XVIII viveu na França um homem que pertenceu à galeria das mais geniais e detestáveis figuras daquele século nada pobre em figuras geniais e detestáveis. A sua história é contada aqui. Ele se chama Jean-Batiste Grenouille..."
Prateleira 13
- O deserto dos Tártaros. Dino Buzzati.
"Nomeado oficial, Giovanni Drogo deixou a cidade numa manhã de setembro para alcançar o forte Bastiani, seu primeiro destino. Pediu que o acordassem de noite ainda e vestiu pela primeira vez o uniforme de tenente..."
Prateleira 13
- Olha para o Céu Frederico. José Cândido Carvalho.
"...Estávamos chegando. O guia avisou que tínhamos entrado nas terras de São Martinho. Era o fim. E a tarde caindo feito uma agonia por cima do mundo. Tarde vazia, sem cigarras pelos troncos. Uma vida bonita de dez anos ia ficar para trás..."
Prateleira 13
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1. Literatura brasileira e portuguesa (coleção mestres da literatura brasileira e portuguesa)
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1. Literatura brasileira e portuguesa (coleção mestres da literatura brasileira e portuguesa)
- A casa da paixão. Nélida Pinon.
"A ninguém queria, além do pai. Uma transigência de cactus, deserto era a zona aflita do seu corpo. Buscou no início compreender. A dificuldade de amar fácil, como planta aceita delicada o crescimento...Os bilhetes que lhe enviam durante a semana, alguns rasgava. Os mais atrevidos, guardava-os junto ao corpo..."
Prateleira 1
- Estorvo. Chico Buarque de Hollanda.
"Para mim é muito cedo, fui deitar claro, não consigo definir aquele sujeito através do olho mágico. Estou zonzo, não entendo o sujeito ali parado..."
Prateleira 1
- Quase memória. Carlos Heitor Cony.
"Dia 28 de novembro de 1995. A hora aproximadamente vinte, talvez quinze para uma da tarde. O local, a recepção do Hotel Novo Mundo, qui ao lado, no Flamengo. Acabara de almoçar com minha secretária e alguns amigos, descêramos a escada em curva que leva ao restaurante ao hall da recepção...O porteiro tirou os óculos, abriu uma gaveta do balcão e de lá retirou um embrulho, que parecia um envelope médio, gordo, amarrado por barbante ordinário. Um hóspede esteve aqui no último fim de semana e perguntou se nós o conhecíamos, pediu que lhe entregássemos este envelope... Sim...Sim..."
Prateleira 1
- Os Sertões. Euclides da Cunha.
"Do alto da Serra de Monte Santo atentando-se para a região, estendida em torno num raio de quinze léguas, nota-se, como num mapa em relevo, a sua conformação orográfica...
Prateleira 1
- O analista de Bagé. Luis Fernando Veríssimo.
"Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vem de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas. Mas não adianta. Estas histórias do psicanalista de Bagé, são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de Bagé, histórias apócrifas é mentira bem educada) mas, pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar...
Prateleira 1
- Galvez imperador do Acre. Márcio Souza.
"A vida e a prodigiosa aventura de Dom Luiz Galvez Rodrigues de Aria nas fabulosas capitais amazônicas e a burlesca conquista do Território Acreano contada com perfeito e justo equilíbrio de raciocínio para a delícia dos leitores..."
Prateleira 1
- Para viver um grande amor. Vinicius de Moraes.
"...Virgem! filha minha
De onde vens assim
Tão suja de terra
Cheirando a jasmim
A saia com mancha
De flor carmesim
E os brincos da orelha
Fazendo tlintlin?
Minha mãe querida
Venho do jardim
Onde a olhar o céu
Fui, adormeci.
Quando despertei
Cheirava a jasmim
Que um anjo esfolhava
Por cima de mim.
(Montevidéu, 01/11/1958)"
Prateleira 1
- O casamento. Nelson Rodrigues.
"Soltou do automóvel, uma Mercedes, e avisou ao chofer: Me apanhe daqui a meia hora. O carro partiu. Bom na Mercedes era a velocidade macia, quase imperceptível. Sabino vai comprar cigarros. Enquanto esperava o troco, viu um sujeito bater nas costas do outro, e berrar: Todo canalha é magro! Por mais estranho que pareça, aquilo doeu-lhe como uma desfeita pessoal. Apanhou o troco, dera uma nota de cinco mil, e veio caminhando. O sujeito ainda repetiu, com a mesma ferocidade jucunda: O canalha é magro. Com surda cólera, Sabino..."
Prateleira 1
- Flor de poemas. Cecília Meireles.
"...Não há quem não se espante, quando
mostro o retrato desta sala,
que o dia inteiro está mirando,
e à meia-noite em ponto fala..."
Prateleira 1
- Insônia. Graciliano Ramos.
"Sim ou não? Esta pergunta surgiu-me de chofre no sono profundo e acordou-me. A inércia findou num instante, o corpo morto levantou-se rápido, como se fosse impedido por um maquinismo. Sim ou não?..."
- O primo Basílio. Eça de Queiroz.
"Tinha dado onze horas no cuco da sala de jantar. Jorge fechou o volume de Luís Figuier que estivera folheando devagar, estirado na velha voltaire de marroquim escuro; espreguiçou-se, bocejou e disse: Tu não vais vestir, Luísa?..."
Prateleira 1
- A festa. Ivan Angelo.
"Quem estivesse na praça da Estação na madrugada de hoje veria um nordestino moreno, 53 anos, entrar com uns oitocentos flagelados no trem de madeira que os levaria de volta para o Nordeste. Veria os guardas, soldados e investigadores tangendo-os com energia mas sem violência para dentro dos vagões..."
Prateleira 7
- Os ratos. Dyonelio Machado.
"Os bem vizinhos de Naziazeno Barbosa assistem ao "pega" com o leiteiro. Por detrás das cercas, mudos, com a mulher e um que outro filho espantado já de pé àquela hora, ouvem. Todos aqueles quintais conhecidos têm o mesmo silêncio. Noutras ocasiões, quando era apenas a "briga" com a mulher, esta, como um último desaforo de vítima..."
Prateleira 7
- Caetés. Graciliano Ramos.
"Adrião arrastando a perna, tinha-se recolhido ao quarto, queixando-se de uma forte dor de cabeção. Fui colocar a xícara na bandeja. E dispunha-me a sair, porque sentia acanhamento e não encontrava assunto para conversar. Luísa quis mostrar-me uma passagem no livro que lia. Curvou-se. Não me contive e dei-lhe dois beijos no cachaço. Ela ergue-se, indignada: O senhor é doido?..."
Prateleira 7
- Maíra. Darcy Ribeiro.
"Ninguém entende este gringo, diz o delegado. Veio esta manhã com um boi do Hotel Nacional e fez uma confusão danada. É suíço: examinei o passaporte dele. Disse que viu uma dona morta numa praia do Iparanã. Com os diabos! Morre gente aqui hora e eu tenho que tomar conta desta defunta que morreu a mil quilômetros. Mandei falar você, Noronha, porque sei que fala francês..."
Prateleira 7
- A moreninha. Joaquim Manuel de Macedo.
"Bravo! exclamou Filipe, entrando e despindo a casaca, que pendurou em um cabide velho. Bravo!...interessante cena! mas certo que desonrosa fora para de um estudante de medicina e já no sexto ano, a não velar-lhe o adágio antigo: o habito não faz o monge...Seriam pouco mais ou menos onze horas da manhã, quando o batelão de Augusto abordou à ilha de...Embarcando às dez horas, ele designou ao seu palinuro o logara a que se destinava, e deitou-se para ler mais à vontade o Jornal do Comércio. Soprava vento fresco e, muito antes do que supunha, Augusto ergueu-se ouvindo a voz de Leopoldo que esperava na praia..."
Prateleira 7
- O galo de ouro. Rachel de Queiroz.
"A névoa escondia o mar. O zumbido de um avião invisível parecia chegar de muito perto, talvez de dentro da água misteriosa, não do céu. Mariano encostou a bicicleta na cerca, empurrou a cancela que rangeu com a antipatia de sempre, puxou a máquina atrás de sim e atravessou o quintalejo maltratado à frente de sua casa. A porta, como de costume, estava apenas cerrada...!
Prateleira 7
Prateleira 7
Formas de Amor, constelarmente puras,
De virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de Lírios e de rosas...
Prateleira 7
- Terra sonâmbula. Mia Couto.
"Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre as cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas..."
Prateleira 7
- Espumas flutuantes. Castro Alves.
"A Pomba d'aliança o vôo espraia
Na superfície azul do mar imenso,
Rente...rente da espuma já desmaia
Medindo a curva do horizonte extenso...
Mas um disco se avista ao longe... a praia
Rasga nitente o nevoeiro desnso!...
Ó pouso! ó mente! ó ramo de oliveira!
ninho amigo da pomba forasteira!..."
Prateleira 7
- A vida com ela é. Nelson Rodrigues.
"Durante uma hora maciça, deixou-se ficar, em pé, numa contemplação espantada. Lá estava a mulher, de pés unidos, as mãos entrelaçadas, entre as quatro chamas dos círios. Parentes e amigos tentavam convencê-lo: "Senta! Senta!". Mas ele, fiel a à própria dor, era surdo a apelos. Como insistissem , acabou explodindo: "Não me amolem, sim?". E continuou, firme, empertigado. No fundo, achava que sentar, em pleno velório da esposa, seria uma desconsideração à morta. Uma hora depois, no entanto, cansou..."
Prateleira 7- A vida real. Fernando Sabino.
"Alguém passou por nós a correr, gritando: Ela entrou no túnel! Vai se suicidar.Várias pessoas já se precipitavam em direção ao túnel, atrás do que gritara, numa curiosidade aflitiva que nos possuiu também. Vai se suicidar..."
Prateleira 7
- Iracema. José de Alencar.
"Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos rios dos sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros. Serenai verdes mares..."
Prateleira 7
- Crônica de uma namorada. Zélia Gattai.
"A noite mais fria de minha vida não foi em Santo Antônio ou São João. A mais fria e a mais triste, como poderia esquecê-la? Foi num mês de julho, dia do enterro de mamãe: me cobriram o luto, me levaram ao cemitério..."
Prateleira 7
- Dom Casmurro. Machado de Assis.
"Este é um romance sobre a intolerância. Este texto notável, publicado no ano de 1899, no derradeiro ano do século, descreve o ciúme de um homem, o advogado Bento Santiago, o Bentinho, por sua mulher, Capitolina, a Capitu..."
Prateleira 7
- Viagem Vaga música. Cecília Meireles.
"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento..."
Prateleira 7
- Pessach: a travessia. Carlos Heitor Cony.
"Hoje, 14 de março de 1966, falo quarenta anos. A data não me irrita, nem surpreende. Isso não quer dizer que eu esteja preparado para ela. Apenas, recebo-a sem emoção, sem tédio. Sinto-me suficientemente maduro para aceitá-la com honestidade e coragem, mas não estou pronto..."
Prateleira 7
- Sambras de reis barbudos. José J. Veiga.
"Está bem, mãe. Vou fazer a sua vontade. Vou escrever a história do que aconteceu aqui desde a chegada de tio Baltazar. Sei que esse pedido insistente é um truque para me prender em casa, a senhora acha perigoso eu ficar andando por aí..."
- A normalista. Adolfo Caminha.
"João Maciel da Mata Gadelha, conhecido em Fortaleza por João da Mata, habitava, há anos, no Trilho, uma casinhola de porta e janela, cor de açafrão, com a frente encardida pela fuligem das locomotivas que diariamente cruzavam defronte, e de onde se avistava a Estação da linha férrea de Baturité. Era amanuense, amigado, e gostava de jogar víspora em família aos domingos. Nessa noite estavam reunidas as pessoas do costume..."
Prateleira 7
- Memórias de um Sargento de Milícias. Manuel Antônio de Almeida.
"...Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria , como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e lhe deu também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Erra isso uma declaração em forma, segundo os usos da terra:.."
Prateleira 7
- Avalovara. Osman Lins.
"No espaço ainda obscuro da sala, nesta espécie de limbo ou de hora noturna formada pelas cortinas grossas, vejo apenas o halo do rosto que as órbitas ardentes parecem iluminar, ou talvez os meus olhos: amo-a, e os reflexos da cabeleira forte, opulenta, ouro ou aço..."
Prateleira 7
- Bichos. Miguel Torga.
"Os bichos de Torga são, em verdade, muito humanos. O seu próprio criador emprega a palavra homem para defini-los em sua maturidade, é como se nomeia o filho do Nero, o cão, quando este vê, surpreso, que tem diante de si um adulto: ...são dez bichos que encontramos nas breves página do pequeno volume que se lê em pouca horas..."
Prateleira 7
- O crime do padre Amaro. Eça de Queiroz.
"Foi no Domingo de Páscoa que se soube em Leiria que o pároco da Sé, José Migueis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia. O pároco era um homem sanguíneo e nutrido, que passava entre o clero diocesano pelo "comilão dos comilões". Contavam histórias singulares da sua voracidade. O Carlos da Botica, que o detestava, costumava dizer, sempre que o via sair depois da sesta, com a face afogueada de sangue, muito enfartado: Lá vai a Jibóia esmoer. Um dia estoura!..."
Prateleira 7
- A hora da estrela. Clarice Lispector.
"A hora da estrela leva esta proposta às últimas consequências e por isso a sua leitura torna-se tão instigante. É certo que aqui reencontramos a agudeza na investigação da natureza e psicologia humanas..."
Prateleira 7
- Poesias completas. Cruz e Sousa.
"Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares , de neves, de neblinas...
Ó Formas vagas, fluidas , cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...
Formas de Amor, constelarmente puras,
De virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de Lírios e de rosas...
Prateleira 7
- Um ramo para Luísa. José Condé.
"Foi num bar noturno que conheci Luísa. A vitrola tocava um fox. Perto de mim, no balcão, três mulheres me olhavam como a um possível freguês; duas outras estavam sentadas, á meia-luz, pouco abaixo de uma cópia grotesca de Toulouse-Lautrec. Conversavam em voz baixa, embora eu já tivesse notado que a morena gesticulava com certo nervosismo. Três sujeitos, no extremo do bar, bebiam cuba-libre em silêncio..."
Prateleira 7
- Senhora. José de Alencar.
"Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. Desde o momento de usa ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade..."
Prateleira 7
- Livro de sonetos. Vinicius de Moraes
" Inelutavelmente tu
Rosa sobre o passeio
Branca! e a melancolia
Na tarde do seio.
As cássias escorrem
Seu ouro a teus pés
Conheço o soneto
Porém tu quem és?..."
Prateleira 7
- O homem disfarçado. Fernando Namora.
"...Só quando a criada lhe retirou da frente o prato do assado, em que mal tocará, é que João Eduardo teve consciência de que a mulher, pela primeira vez, não insistira para que ele comesse..."
Prateleira 7
- Quincas Borbas. Machado de Assis.
"Rubião fitava a enseada, eram oito horas da manhã. Quem visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta, mas em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano?Professor. Que é agora! Capitalista..."
Prateleira 7
- Faz escuro mas eu canto. Thiago de Mello.
"Pois aqui está a minha vida.
Pronta para ser usada.
Vida que não se guarda
nem se esquiva, assustada.
Vida sempre a serviço da vida.
Para servir ao que vale a pena
e o preço do amor..."
Prateleira 7
- Poesias. Raimundo Correia.
"Vamos de longe, o guia vai na frente,
É longa a estrada...Aos ríspidos estalos do impaciente látego, os cavalos
Correm veloz, larga e fogosamente...
Prateleira 7
- Antes do Baile Verde. Lygia Fagundess Telles.
"Finalmente pousou o olhar no globo de vidro e estendeu a mão. - Tão transparente. Parece uma bolha de sabão, mas sem aquele colorido de bolha refletindo a janela, tinha sempre uma janela nas bolhas que eu soprava. O melhor canudo era o de mamoeiro. Você também não brincava com bolhas? Hein, Lorena?..."
Prateleira 7
- Eurico o presbítero. Alexandre Herculano.
"Para as almas, não sei se diga demasiadamente positivas, se demasiadamente grosseiras, o celibato do sacerdócio não passa de uma condição, de uma fórmula social aplicada a certa classe de indivíduos cuja a existência ela modifica vantajosamente por um lado e desfavoravelmente por outro...""
Prateleira 7
- Uma vida em segredo. Autran Dourado.
"...o romancista, como todo artista, não cria para exprimir alguma coisa, ao contrário, se exprime para criar..."
Prateleira 7-13
- Canaã. Graça Aranha.
"Milkau cavalgava molemente o cansado cavalo que alugara para ir do Queimado à cidade do Porto do Cachoeira, no Espírito Santo. Os seus olhos de imigrante pasciam na doce redondeza do panorama. Nessa região a Terra exprime uma harmonia perfeita no conjunto das coisas..."
Prateleira 7
2. Mestres da Literatura Contemporânea
2. Mestres da Literatura Contemporânea
- Memórias de Adriano. Marguerite Yourcenar.
"É uma autobiografia imaginária sobre a vida e a morte do imperador romano Adriano.
Prateleira 13
- Infância. Graciliano Ramos.
"A primeira coisa que guardei na memória foi um vaso de louça vidrada, cheio de pitombas, escondido atrás de uma porta..."
Prateleira 13
- O perfume. Patrick Suskind.
"No século XVIII viveu na França um homem que pertenceu à galeria das mais geniais e detestáveis figuras daquele século nada pobre em figuras geniais e detestáveis. A sua história é contada aqui. Ele se chama Jean-Batiste Grenouille..."
Prateleira 13
- O deserto dos Tártaros. Dino Buzzati.
"Nomeado oficial, Giovanni Drogo deixou a cidade numa manhã de setembro para alcançar o forte Bastiani, seu primeiro destino. Pediu que o acordassem de noite ainda e vestiu pela primeira vez o uniforme de tenente..."
Prateleira 13
- Olha para o Céu Frederico. José Cândido Carvalho.
"...Estávamos chegando. O guia avisou que tínhamos entrado nas terras de São Martinho. Era o fim. E a tarde caindo feito uma agonia por cima do mundo. Tarde vazia, sem cigarras pelos troncos. Uma vida bonita de dez anos ia ficar para trás..."
Prateleira 13
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- A Morenhinha. Joaquim Manuel de Macedo.
"Como manter-se fiel ao juramento de amor feito no passado, diante de uma nova e ardorosa paixão? É o que se pergunta Augusto ao conhecer Carolina, a Moreninha. Uma resposta surperendente será dada ao personagem nas páginas deste agradável livro de Joaquim Manuel de Macedo. Publicado em 1844, este é o primeiro romance de nossa literatura..."
Prateleira 16
- Menino de Engenho. José Lins do Rego.
"Eu tinha uns quatro anos no dia em que minha mãe morreu. Dormia no meu quarto, quando pela mãnha me acordei com um enorme barulho na casa toda. Eram gritos e gente correndo para todos os cantos. O quarto do meu pai estava cheio de pessoas que eu não conhecia..."
Prateleira 16
- Casa de Pensão. Aluísio Azevedo.
"..Às quatro horas da tarde apareceu de novo Amâncio.
Vinha esbaforido. O dia estava horrível de calor. Campos foi recebê-lo com muito agrado.
-Então? Disse-lhe. Está livre das cartas?..."
Prateleira 16
- Brás, Bexiga e Barra Funda & Laranja da China. Antonio de Alcântara Machado
"Publicado em 1927, o livro reúne histórias que mostram a vida dos imigrantes italianos nos bairros operárioss da cidade de São Paulo nas primeiras décadas deste século..."
Prateleira 16
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